COP28 e questão hídrica: desafios na agenda climática

Análise dos debates da COP28 e os impactos da questão hídrica, estratégias de adaptação e reflexos nas mudanças climáticas globais.

Com o intuito de reforçar os desafios da agenda climática, a 28ª Conferência das Nações Unidas sobre a Mudança Climática (COP28) reconheceu pontos cruciais para conter a ebulição global. As questões hídricas tornaram-se um destaque, provocando uma reflexão sobre o consumo em setores vitais como indústria, agricultura e alimentação.

O evento também foi marcado pelo Objetivo Global de Adaptação (Global Goal on Adaptation — GGA, em inglês). Estabelecido em 2015 pelo artigo 7 do Acordo de Paris, o GGA foi reapresentado como uma estratégia eficiente, capaz de operacionalizar metas, meios de implementação e indicadores para a agenda climática e as questões hídricas.

Agenda climática: a COP28 reconheceu pontos cruciais para conter a ebulição global.
Agenda climática: a COP28 reconheceu pontos cruciais para conter a ebulição global. Foto: Ralf Vetterle/Pixabay

Entre os dias 30 de novembro e 12 de dezembro de 2023, a COP28 contou com painéis temáticos que colocaram a questão hídrica em evidência. Nos dias 9 e 10 de dezembro ocorreram os debates “Natureza, uso da terra e oceanos” e “Alimentação, agricultura e água”, respectivamente.

A conferência ocorreu em meio ao aumento da temperatura global, o que resultou em eventos climáticos extremos. Em 2023, registrou-se, pela primeira vez, um aumento de 1,17 °C na temperatura média global. O calor extremo intensificou a ação do El Niño, evento climático extremo que intensifica os períodos de chuva intensa e de seca em diferentes territórios.

Questões hídricas na agenda climática

De acordo com a programação da COP28, mais de 150 sessões envolveram a questão hídrica. O Pavilhão da Água, responsável pela temática, teve o recorde de 60 organizações participantes da Conferência. A questão hídrica aproximou diferentes perspectivas para a agenda climática, com sessões como “Water IS the Climate Challenge” e “Water: Hydrating Climate Action”, contando com a presença de jovens e grupos indígenas que ampliaram a discussão.

Apesar do desenvolvimento da questão hídrica na agenda climática, os desafios da escassez de água foram ofuscados pelas resoluções sobre combustíveis fósseis, responsáveis pela propagação do efeito estufa no planeta. Essa foi a primeira vez que o termo apareceu no documento final da conferência.

Responsáveis pelo aumento de gases de efeito estufa, os combustíveis fósseis estão diretamente relacionados às mudanças climáticas. Contudo, o documento final fala em “transição energética”, termo que desagrada líderes e ambientalistas, que defendem a eliminação total do uso de combustíveis não-renováveis.

Investimento em Soluções baseadas na Natureza (SbN)

O acordo final da COP28 identifica as Soluções Baseadas na Natureza (SbN) como ferramentas essenciais para a adaptação à agenda climática. Compostas por estratégias sustentáveis, visam proteger e restaurar ecossistemas modificados. Os planos de ação das SbN são eficazes e adaptativos, contando com tecnologias avançadas e estudos científicos.

A inclusão das SbN no Balanço Global é positiva para as questões hídricas, destacando a natureza como aliada fundamental. Contudo, a aplicação depende de investimentos para efetuar os acordos, especialmente em países mais vulneráveis aos impactos de eventos climáticos extremos.

A estratégia que torna a natureza uma aliada possui benefícios significativos, tornando cidades mais resistentes a eventos climáticos extremos, além de reduzir o impacto de enchentes e secas para a população. As soluções também são reconhecidas pelo baixo custo no tratamento de água, gerando empregos e impulsionando o desenvolvimento econômico em territórios.

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