O que está por trás da seca na Amazônia?

Mudanças climáticas, El Niño e desmatamento desenfreado são algumas das causas que prejudicam o Brasil e o mundo.

Nos últimos meses, é constante a notícia sobre a forte seca na Amazônia. Saber o que antecede esse cenário é primordial para entender o que deve ser feito.

De acordo com dados preliminares divulgados pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima no início de novembro deste ano, relativos ao Programa de Monitoramento do Desmatamento da Floresta Amazônica Brasileira por Satélite (Prodes) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), houve uma queda de 22,3% na taxa de desmatamento no período de agosto de 2022 a julho de 2023.

Lago do Aleixo quase seco, deixando barcos e flutuantes encalhados, durante a maior seca, em 121 anos, que a Amazônia vem sofrendo.
Lago do Aleixo quase seco, deixando barcos e flutuantes encalhados, durante a maior seca, em 121 anos, que a Amazônia vem sofrendo. Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

Atualmente, a queima e o desmatamento de florestas são responsáveis pela emissão de grandes quantidades de gases que provocam o chamado efeito estufa, fenômeno responsável pelo aquecimento global no planeta Terra. Além disso, para reduzir a emissão de gases poluentes na atmosfera, é crucial que a humanidade avance significativamente no combate às mudanças climáticas, as quais, somadas aos fatores mencionados anteriormente, estão mais interligadas com a estiagem na Amazônia do que se imagina.

A combinação de mudanças no clima, El Niño, o aquecimento anormal das águas do Oceano Atlântico e o desmatamento desenfreado, mesmo com a melhora conquistada no período de agosto de 2022 a julho de 2023, contribui severamente para o agravamento dessa situação. Com o aumento das queimadas, os efeitos da estiagem ficam exacerbados e tendem a prejudicar o regime de chuvas, que normalmente é mais baixo entre os meses de abril e outubro.

José Marengo, climatologista do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), explica que nas últimas cinco décadas a estação seca na Amazônia já se estendeu e, caso a temperatura do Oceano Atlântico Norte continue aumentando, é bem provável que a população tenha ainda mais dificuldade para viver nos locais afetados.

Pesquisadores fazem medição em botos mortos no Lago Tefé, no estado do Amazonas.
Pesquisadores fazem medição em botos mortos no Lago Tefé, no estado do Amazonas. Foto: Miguel Monteiro/Instituto Mamirauá

Por enquanto, a seca extrema deste ano tem causado mais problemas nos estados do Acre, Rondônia, Roraima e Amazonas. Falando nisso, rios, como Negro, Solimões, Purus, Madeira e Amazonas, caminham para os menores níveis hídricos da história.

O rio Negro, por exemplo, registrou o ponto mais baixo, desde 1902, chegando a 13,59 metros. O recorde anterior é de 2010, quando o nível do rio chegou a 13,63 metros e a expectativa é que o índice diminua mais, porque o rio Negro está baixando, em média, 13 cm por dia.

Consequentemente, cidades onde o acesso é prioritariamente por via fluvial correm o risco de ficarem isoladas. E isso tende a significar a impossibilidade do transporte de alimentos, abastecimento de água e medicamentos.

A seca extrema na região amazônica também já vitimou diversas espécies de peixes e outros animais aquáticos, havendo inclusive, registros de morte de mais de 150 botos no Lago Tefé, localizado no estado do Amazonas, onde a temperatura da água atingiu cerca de 39º C.

Lições que podemos tirar

Durante a conferência TEDx Amazônia, Valcléia Solidade, superintendente de Desenvolvimento Sustentável da Fundação Amazônia Sustentável (FAS), alertou que: 

“É necessário começar a pensar em alternativas de prevenção para minimizar os impactos que as mudanças climáticas causam. Até porque, esses impactos deverão ser, a cada ano, maiores.”

Previsões científicas alertam que a região amazônica continuará sendo afetada até, pelo menos, meados de 2024. Até 2100, as mudanças tendem a ser catastróficas.

Até o momento, a temperatura média global aumentou 1,2 ºC, desde o começo da revolução industrial. Para evitar que esse número ultrapasse o limite de 1,5 ºC, as emissões globais devem ser reduzidas em 84% até 2050, segundo os últimos relatórios divulgados na Convenção de Clima.

No Brasil, emissões de combustíveis fósseis e desmatamento devem ser contidos. Contudo, é preciso ir além da inspeção e multar quem viola as normas ambientais. É indispensável impedir, por exemplo, projetos que impulsionam o desmatamento, como novas estradas que abrem vastas áreas da floresta. 

Mais do que nunca, políticas públicas são primordiais. Mas não apenas na teoria. A prática tem de acontecer. Quanto à população, essa pode e deve colaborar com pequenas ações diárias, como não desperdiçar água, preservar o meio ambiente por meio de descarte de lixo de forma correta, entre outras práticas. Por fim, vale ressaltar que apesar de vermos consequências em locais que muitas vezes estão longe da nossa realidade, as mudanças climáticas afetam a todos, sem distinção de classe social.

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