Estudo traça o perfil dos poluentes encontrados na bacia do PCJ, em São Paulo

Amostras coletadas de 15 pontos diferentes identificam contaminantes considerados emergentes.

A bacia do PCJ desempenha um papel fundamental para o desenvolvimento econômico e populacional do estado de São Paulo. Composta pelos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí, a bacia hidrográfica é considerada a maior da região em termos de drenagem – com 82% da área total – e de abastecimento populacional, onde atende cerca 66% dos municípios do estado.

Apesar da sua relevância para diversos setores, a bacia do PCJ enfrenta constantes desafios causados pela escassez hídrica e altos índices de inundações, que levam o cenário de crise para diversas cidades. O resultado também aponta uma gestão ineficiente e a ausência de ações eficazes para transformar esse cenário.

O rio Camanducaia é um dos que formam a bacia PCJ, em São Paulo.
O rio Camanducaia é um dos que formam a bacia PCJ, em São Paulo. Foto: Cassiana Carolina Montagner/Unicamp

Devido à alta demanda de setores como a indústria, agricultura e o consumo populacional, a bacia do PCJ ganhou a atenção de pesquisadores e especialistas para avaliar o impacto causado por compostos poluentes. O resultado identifica uma taxa alta de contaminação, além da identificação de compostos considerados emergentes.

A contaminação por efluentes

Realizado por pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e parceiros de instituições nacionais e internacionais, o estudo sobre os efluentes encontrados na bacia do PCJ foi publicado no periódico científico Chemosphere. A pesquisa também teve o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa de São Paulo (FAPESP).

O estudo realizado preenche uma lacuna de informações mais específicas do território. Os seus resultados identificam a concentração, frequência e toxicidade dos contaminantes, além de apontar os principais riscos para a saúde humana e organismos aquáticos.

Compostos tradicionais e emergentes aparecem em amostras coletadas em 15 pontos diferentes da bacia do PCJ. Os contaminantes tradicionais são poluentes que podem ser tratados ou removidos a partir de métodos reconhecidos pela legislação.

O maior desafio está relacionado aos contaminantes emergentes, que não são identificados pela legislação e podem comprometer a biodiversidade e a qualidade da água para consumo da bacia do PCJ.

O impacto dos poluentes para a bacia do PCJ

O estudo identificou, pela primeira vez nos rios do estado de São Paulo, a ocorrência de poluentes do grupo dos PFAS. Esses poluentes são compostos químicos sintéticos, utilizados pela indústria para a produção de itens antiaderentes, impermeáveis e resistentes a manchas.

Agências de proteção internacionais, como a United States Environmental Protection Agency (Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos), identificaram casos graves de problemas de saúde provenientes desse composto. O contato com a água contaminada pode aumentar as chances de alguns tipos de câncer, como próstata, rim e testículo.

Além do grupo de PFAS, o estudo constatou uma variedade de 45 poluentes. Os compostos provenientes da agricultura, como pesticidas, foram reconhecidos em todas as amostras, bem como substâncias que são comumente levadas para os rios através do esgoto doméstico.

Como reverter a situação

O avanço dos poluentes na bacia do PCJ pode intensificar o cenário de crise. Responsável por aproximadamente 5,3% do Produto Interno Bruto (PIB), a região é um polo agrícola e industrial, onde estão concentradas grandes cidades.

A produção de cana-de-açúcar, por exemplo, possui um grande destaque na cidade de Piracicaba. O município de Americana, também presente na região, é reconhecido pelo avanço da indústria têxtil. E quando se fala de concentração populacional no território da bacia do PCJ, a cidade de Campinas concentra uma população de 1.138.309 habitantes.

Os pesquisadores, que atuaram na elaboração do estudo, relatam que existem práticas na região que causam danos ainda maiores para a bacia do PCJ. O fornecimento de água para irrigação, sem o devido tratamento, é uma das práticas que podem aumentar a disseminação de componentes tóxicos presentes nas águas.

A falta de saneamento básico em pequenas cidades da região também é desafio. De acordo com a pesquisa, municípios na região lançam esgoto in natura nos rios, o que prejudica organismos aquáticos e o uso da água para atividades humanas.

Os desafios para a recuperação da bacia do PCJ revelam a má gestão dos resíduos sólidos e a ineficiência do saneamento. Para reverter esse cenário, é necessário soluções eficientes e de baixo impacto ambiental, que possam iniciar o processo de restauro para a qualidade das águas e a manutenção da biodiversidade.

Conheça mais sobre a TyQuant

Cadastre-se para receber conteúdos promocionais, e de divulgação, relacionados com nossos serviços.

Ao clicar em cadastre-se, você concorda com nossa Política de Privacidade.